Ter Saudade Até que É Bom

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A gente guarda na gente tudo que a gente já foi. Todos os sonhos, os medos, as frustrações. A gente guarda pra sempre a saudade que um dia sentiu, as conquistas, o que era pra ter sido e não foi. E o que foi e a gente nem imaginou que seria. Depois de seis anos, tem aqui ainda uma Helene que sonha em acordar e estar em NYC em 40 minutos, bastava pegar o trem. E passar aquele frio inexplicável, e ficar imensamente feliz quando o tempo esquentava, e rir aquela risada gostosa junto com pessoas que eu sempre vou querer bem. Union Square, Central Park de madrugada, musicais da Broadway, as noites de Halloween, Sephora, Barnes and Noble e um café quentinho, torrar o salário em cds na Virgin, aulas de arte, Village e as pessoas excêntricas e maravilhosas, atravessar a ilha a pé com os turistas, crescer e aprender um tanto que eu jamais pensei ser possível. E sempre, sempre, sentir a liberdade e a pulsação da cidade mais incrível desse mundo. Eu sinto falta. 💔

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Pra Ler e Se Inspirar: Chez Noelle

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O tempo livre das férias é sempre bem-vindo. Dormir até tarde, ver séries e mais séries, ir ao cinema, remexer na pilha de livros acumulados e começar a colocar a leitura em dia… Tudo muito bom. E, além de disso, tô aproveitando pra ler muita coisa na internet também. Recentemente descobri alguns blogs incríveis, que tratam, entre temas como moda, cultura, comportamento, e beleza, sobre feminismo. E olha assunto que me inspira, hein!

Chez Noelle foi uma das minhas descobertas recentes. Me identifiquei muito com os temas do blog e com a autora – ela chama Stephanie Noelle, é jornalista, tem 27 anos e é aquele tipo de pessoa que dá vontade de ser amiga haha. O blog tem reflexões sobre vários assuntos, como mudanças na vida, padrões de beleza, consumismo, fazer aniversário, a forma como as mulheres são retratadas na mídia… São temas diversos e que se encaixam em qualquer humor que você esteja no dia, sabe? Tem dias que a gente tá meio down e prefere ler um texto mais reflexivo, sincero… Outros em que estamos super animadas, e dá vontade de ver inspirações divertidas, coloridas, que façam a gente querer sair curtindo a vida por aí. Resumindo, encontrei o blog meio por acaso, comecei a ler e não conseguia mais parar heheh.

E talvez o que mais tenha chamado a minha atenção nesse blog é o trabalho de TCC feito pela Stephanie. Ela fez uma revista pra mulheres, a Juno, com textos IN.CRÍ.VEIS. É o tipo de revista (ou de conteúdo digital) que eu ia amar acompanhar todos os dias. Vários colaboradores participaram, e é liiinda a forma como a revista nos inspira de verdade, nos inspira com histórias reais, com depoimentos e fotos de gente “comum” que, na verdade, de comum não têm nada, porque cada um tem sua própria mágica e brilho, e é isso o que a revista quer valorizar. O trabalho realmente conseguiu alcançar o objetivo da revista, que a autora descreve assim:

“…queria que as pessoas se sentissem bem ao ler. Queria que elas se sentissem bonitas, felizes, completas, instigadas, mexidas, inspiradas. Eu não queria fazer mais uma revista que ditasse regras. Que falasse de padrões. Que dissesse como a gente tem que ser pra ser feliz. Queria fazer uma revista diferente e que respeitasse e AMASSE as diferenças. Que mostrasse que sim, você pode ser quem você quiser ser. E ser feliz assim. Se sentir bem assim. Se amar assim.”

Chez Noelle entrou sem dúvida pra listinha de blogs que costumo acompanhar. Espero que traga inspiração pra mais gente por aí também!

Costurar a Vida

yep2Viver é tecer novos caminhos, é criar novos sentidos, é abraçar o inusitado ou o assustador. Viver é não ter medo de experimentar, nem de errar, é errar e recomeçar até o acerto vir. Viver é furar o dedo na agulha, mas depois de alguns minutos nem lembrar da dor. Viver é fazer e refazer nós: nas linhas, nas amizades, no amor. Viver é seguir tentando, é recomeçar, a cada manhã, e sempre, sempre. Viver é fazer o possível hoje, com o que se tem, com o que se é, para amanhã fazer melhor.

O Imortal Leminski

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“Quem é anarquista mesmo, nem fala que é”. Debochando do sistema, e daqueles que talvez ingenuamente dizem lutar contra ele, as armas revolucionárias de Leminski eram as palavras. “Posso, sem armas, revoltar-me?”, perguntou-se Drummond em um poema, e essa questão ecoa em mim desde que descobri que a rebeldia, a não-aceitação, é o primeiro passo para a verdadeira mudança. E desconfio que era assim que Leminski demonstrava sua revolta – jamais com armas, mas com ideias. Curitibano genial e talvez pouco compreendido, ele preferiu abdicar dos superestimados bens materiais e optou por uma vida singela, rodeado de livros e da famosa vodka, vício responsável pela morte precoce, aos 44 anos. Mas tem gente que não morre. Tem gente cujas palavras incisivas e pontuais, ou por vezes abstratas e fugazes, permanecem não só como lembrança, mas como pós-vida, como resistência imortal.

Leminski é lembrete diário de que é possível, sim, viver de forma autêntica. De inteligência atípica, cultivava interesses diversos, como sua paixão inexplicável pela cultura e língua japonesas. Foi aí que surgiu também a paixão pelos haicais, poemas curtos que ele desenvolvia com simplicidade e maestria. Mas de todas as características fascinantes do nosso poeta brasileiro, talvez a que mais surpreenda seja essa coragem de enfrentar o mundo de forma descompromissada e descomplicada. Entre os valores tão prezados na contemporaneidade – há que se estar limpo! cabelos e barbas aparados! há que se buscar o sucesso! há que se vender ao lucro! -, Leminski teve a audácia de viver de acordo com a sua própria escolha. E por isso segue vivendo, mesmo depois da morte. “Isso de querer / ser exatamente aquilo / que a gente é / ainda vai / nos levar além”.

Amar Você É Coisa de Minutos – Paulo Leminski

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

Representatividade Importa

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Esses dias, me deparei com uma matéria sobre a vinda ao Brasil de RJ Mitte (que interpretou Flynn no seriado Breaking Bad), para ser comentarista das Paralimpíadas. O ator tem paralisia cerebral. Em um vídeo super fofo divulgado sobre isso, ele fala da importância de todas as pessoas, com deficiência ou não, não terem medo de fazer o que têm vontade, não se esconderem, não deixarem as coisas para ‘semana que vem’. A matéria me fez pensar na campanha da Vogue para as Paralimpíadas, com a Cleo Pires e o Paulo Vilhena. A campanha defendia a representatividade. No entanto, a representatividade ali era nula – o espaço que poderia ter sido dado para atletas paralímpicos, que eram o foco da campanha, foi substituído pelos dois artistas ‘photoshopados’: ela sem um braço, e ele sem uma perna. O que foi feito na campanha seria mais ou menos como usar uma pessoa branca para representar a comunidade negra, ou uma pessoa heterossexual representando a comunidade LGBT, por exemplo. Por mais que as intenções tenham sido boas, a campanha acabou por reiterar a preocupante falta de representatividade de tantas minorias no Brasil. Enquanto a vinda de RJ Mitte para o Brasil fez justamente o oposto disso. Fiquei contente em ver um exemplo de ação inteligente e tão necessária.

Assista ao vídeo aqui!

Viva Liberty

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Union Square. Foto: Bárbara Franzon

Início da noite em Nova York. Era outono, o que significava que as folhas das árvores estavam todas alaranjadas, como nos filmes que eu tinha visto quando criança, e as temperaturas haviam baixado – mas não tanto a ponto de ser impossível ficar nas ruas. Então era assim que passávamos nosso tempo, nas ruas daquela cidade mágica e brilhante, mais precisamente na Union Square, uma praça que me recordo como sendo o lugar mais colorido e mais vibrante daquela cidade. Eu estava com a minha irmã, minha grande irmã, e provavelmente falávamos alguma bobagem (como sempre fazemos quando estamos juntas) quando vimos um cara de moicano no cabelo tingido de loiro-quase-branco, alto e magro, com roupas extravagantes no melhor estilo punk. O tipo ‘esquisito’ não se destacava muito da multidão ali presente – talvez o que mais me encantava em Manhattan era a mistura de todo tipo de gente, uma gente com a aparência livre, sabe? Não existia regra para cabelo/vestimenta/maquiagem, o que importava era ser autêntico. Que saudade disso.

“É o Supla?”, perguntamos uma pra outra. Supla, um brasileiro que tinha tudo pra se tornar um ‘playboy’, como dizem por aí, mas tomou a direção oposta e se rebelou. Gritamos, lá de longe, “SUPLA!!”. O moço olhou pra gente, e sem titubear, caminhou em nossa direção em meio a um monte de jovens que andavam de skate por ali. Cumprimentou a gente com um aperto de mão, falou umas frases em português e outras em inglês, foi extremamente simpático e nos convidou para o show que ele faria naquela semana junto com o irmão  – ao qual não pudemos ir por sermos menores de idade. Trocamos ideias por alguns minutos, ele entregou o flyer do show para nós, se despediu e foi embora, mesclando-se novamente na multidão.

Sete ou oito anos depois, o punk brasileiro vem a Londrina, no Paraná. Eu e meu namorado decidimos assistir ao show dele – afinal, a gente sempre reclama que falta coisa diferente para fazer aqui. Assim que entrei no bar, que eu ainda não conhecia, senti que não estava mais em Londrina – não sei explicar bem por quê. Depois de algumas long neck e uma dose de gim, o show começou. A plateia era pequena mas muito, muito animada. Havia uma energia diferente ali, contagiante, e todos pularam – literalmente – ao som daquelas músicas irreverentes e divertidas. Não sou fã do Supla como artista, na verdade, conheço pouco do que ele já produziu. Mas ali no palco, cantando e performando com o mesmo cabelo tingido de décadas atrás, ele mostrou-se como exemplo de que a vida é curta demais para vivermos presos a regras. Então, VIVA LIBERTY!

Um Bolinho no Meio da Tarde

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Numa tarde durante essa semana, estava cansada e estressada por conta daquela sensação péssima de que o tempo não vai ser suficiente pra dar conta de todas as obrigações. Mas aí, entre uma responsabilidade e outra, resolvi comprar um bolinho red velvet – um dos meus sabores preferidos no mundo! – e parar por alguns instantes para saboreá-lo. Parece bobagem, né? Mas entre um bocado e outro, o bolinho se tornou muito mais do que só um bolinho. Ele se tornou uma mensagem muito simples, que eu, ansiosa que sou, costumo esquecer. O bolinho foi a representação de que, por mais exaustivo ou desgastante que o dia esteja sendo, podemos parar por alguns minutos para aproveitar uma coisinha gostosa. Foi um lembrete de que podemos celebrar nossas pequenas conquistas diárias, em vez de nos sentirmos culpados quando não conseguimos riscar todos os itens da nossa lista do que deveria ser feito. O bolinho é uma quebra na rotina. É um mimo merecido e necessário. É um recado de que, às vezes, devemos parar de nos cobrar tanto e aproveitar, sem culpa nem constrangimento, algo que nos faça pelo menos um pouquinho mais feliz. Um bolinho no meio da tarde é muito mais do que um bolinho.